RELACIONAMENTO ABUSIVO: LIBERTE-SE DELE!

Brasil, Saúde

Por Prof. Dr. Mario Louzã, médico psiquiatra e psicanalista. Doutor em
Medicina pela Universidade de Würzburg, Alemanha. (CRMSP 34330)

Pode ser uma mãe que abusa da autoridade com seus filhos. Pode ser uma
amiga mandona que controla sua turma. Pode ser um marido possessivo que
impede sua mulher de trabalhar fora. O relacionamento abusivo pode ser
considerado uma espécie de bullying. Uma pessoa exerce poder sobre outra,
tolhendo sua liberdade, humilhando, denegrindo, impondo sua forma de pensar
e ser, de modo que a pessoa “abusada” perde parte de sua identidade e
de sua possibilidade de escolha.

Frequentemente, o domínio é exercido por alguma vantagem que uma das
partes tem sobre a outra, como condição financeira, por exemplo. Uma
pessoa pode se sentir superior às outras por ter mais dinheiro. Com os
amigos, ela acha que pode determinar os programas que vão fazer. Com a
mulher, ou com o marido, a pessoa se sente no direito de fazer tudo do seu
jeito, inclusive em relação à educação dos filhos, já que ela
“banca a família”.

Este tipo de relação resulta também na humilhação em público. Exemplo
disso é a postura de reprovação da pessoa “abusadora”, quando a
“abusada” expressa suas ideias durante um encontro entre amigos ou
familiares. Ao notar que o(a) outro(a) não gostou, a pessoa se sente
intimidada, envergonhada e, com medo da “abusadora”, acaba se calando e
ficando apática.

A pessoa que sofre o relacionamento abusivo pode ter vários
comportamentos: mesmo tendo ciência do que se passa, pode acreditar que
“as coisas vão mudar”. Ou então tem medo de tomar uma atitude, e não
saber qual será a reação da pessoa “abusadora”.

Quem passa por esses abusos, muitas vezes, “finge” já ter se
acostumado, e prefere continuar do jeito que está do que enfrentar os
desafios que virão pela frente. Esta “acomodação” está relacionada
à própria personalidade da pessoa “abusada”, alguém que
frequentemente se sente frágil e, mesmo sendo abusada, se sente protegida
pela outra pessoa. Daí, cria-se uma relação simbiótica, na qual um
depende emocionalmente do outro. Pode soar estranho e contraditório, mas
é fato.

Em alguns casos, a situação pode chegar a extremos de agressão verbal
e/ou física, o que passa, então, a demandar uma ação junto a
autoridades judiciais. A abordagem dessa relação abusiva requer que ambos
(abusador e abusado) se disponham a buscar tratamento psicoterápico
individual e, no caso de casais, de terapia de casal, visando a ruptura da
relação simbiótica e a busca de uma relação de equidade e equilíbrio.

Informações à imprensa
Flávia Vargas Ghiurghi
flaviavghiurghi@hotmail.com
flaviaghiurghi@gmail.com
(11) 9-9716-2800

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