Pintora Ângela Gomes fatura prêmio inédito para a América Latina

Espírito Santo, Personalidades

A capixaba, maior representante da arte Naïf no Espírito Santo, foi condecorada com o prêmio SZYB WILSON, durante festival internacional

Trabalhos da pintora capixaba Ângela Gomes foram eleitos, pelo voto popular, os melhores expostos no X Art Naif Festiwal, que aconteceu na cidade de Katowice, na Polônia. A mostra internacional reuniu 1.500 telas de 362 artistas representantes de 36 países. Esta é a primeira vez que um artista da América Latina é condecorado no evento.

Ângela Gomes participou da mostra com as telas “Jardim de Monet com Coqueiros e Aves Brasileiras”, “Colheita de Lavandas – Provence” e “Le Mont Saint-Michael”. “Para mim é emocionante receber uma premiação tão importante, vinda do voto popular. Homenagear a França foi uma honra e saber que o meu trabalho se destacou entre tantos talentos de várias partes do mundo é muito gratificante”, destaca a artista. “A beleza e deslumbramento da obra de Ângela Gomes iluminou nossa Galeria nos últimos dois meses”, declara a diretora da exposição internacional, Kasia Grzanka.

O pintor colombiano Alejandro Pinzón ressalta a importância de uma representante da América do Sul ser condecorada em uma exposição tão expressiva. “O Festival de Arte Naif de Katowice é um evento único na Europa, que neste ano recebeu mais de 30 mil visitantes. Este prêmio está reconhecendo a arte ingênua do nosso continente, colocando-a entre as melhores do mundo. Temos a sorte de pertencer a esta grande família de artistas, estamos orgulhosos de que no próximo ano Brasil será o convidado de honra do evento. Ângela Gomes é uma representante digna da arte Naïf brasileira”, declara o artista.

A capixaba receberá o prêmio SZYB WILSON na cerimônia de abertura do XI Art Naif Festiwal, que acontecerá em junho do próximo ano e vai homenagear a Áustria. E a artista tem uma missão: pintar uma tela com elementos do distrito histórico Nikiazowicc, imagem que promoverá a próxima edição do evento.

Sobre a artista
Natural de Cachoeiro de Itapemirim, Ângela Gomes ainda era pequena foi brincar no quintal da casa, após uma longa noite de tempestade. O vento espalhara a areia e foi sobre ela, usando um palito de picolé, que começou a dar os seus primeiros traços artísticos: desenhou um carro (Fusca) que estava estacionado em frente à sua casa. A riqueza dos detalhes a impressionou e aumentava o seu fascínio pelas cores. A arte já fazia parte dela e desde cedo sua visão pelo mundo se ampliava de forma festiva, sonhadora e feliz. Já encantava os vizinhos e colegas de escola com suas habilidades artísticas, vivia sempre com lápis de cor, desenhando para a turma da classe estudantil; adorava fazer montagens e colagens com recortes de revistas, estampava tecidos, tudo de forma natural e intuitiva.

Sua primeira pintura a óleo sobre tela foi por encomenda de sua tia Sônia Rosalém, aos nove anos de idade. Despontava para o Naïf, quando entrou num curso para aprender a técnica de pintar e o conhecimento do material a ser usado. Produziu várias telas e as guardou junto com o sonho e o desejo artístico.
Autodidata, em 1981, Ângela Gomes realizou a sua primeira exposição individual. Nenhum convidado compareceu, apenas ela e o fotógrafo contratado. Mas o que era para ser motivo de desistência transformou-se em incentivo para continuar, lutar e vencer. A falta do apoio familiar, o preconceito social e o descrédito profissional continuaram até se definir por volta de 1987, pela pintura Naïf, após rápida convivência com Raquel Galena, pintora do gênero, no Embu das Artes, em São Paulo.

Hoje, a artista é referência na arte Naïf. Suas telas são de uma limpeza e clareza que chegam a sugerir ao observador que foram lavadas após o término. Sua fascinação pelas paisagens regionais e pelas cenas que expressam a arte e a tradição popular – o povo, seus usos e costumes.  Ela busca, junto às comunidades, elementos para abastecer seu universo iconográfico, através de suas pesquisas.

Já expôs sua arte em lugares como o Museu de Arte Contemporânea de Campinas e o Museu Internacional de Arte Naïf, no Rio de Janeiro. Esteve presente em exposições coletivas na cidade de Porto, em Portugal, na mostra “Pontes Luso Galaicas IV”, em Mônaco, na França e na “Arte Naïf em Mônaco 2015”. Também participou, como convidada de honra, do Salão Internacional de Arte Naïf, que aconteceu na Mansion Eiffel, no Centro Histórico de Lima, no Peru, entre outros.

A artista em números:
59 exposições individuais
164 exposições coletivas
48 exposições internacionais
28 salões
05 menções honrosas
03 medalhas de ouro
01 medalha de prata
01 medalha de bronze

Responsável: Márcia Almeida

Contato: marciajorn@gmail.com